NO3 e PO4 no aquário – tudo o que você precisa saber sobre nitratos e fosfatos

Hoje vamos falar sobre dois elementos que geram muitas discussões no mundo da aquariofilia: os nitratos (NO3) e os fosfatos (PO4).
Se o seu aquário já se transformou em uma plantação de algas ou se as plantas crescem mais devagar do que o esperado, este guia é para você.
Aqui, vamos explicar o que são NO3 e PO4, de onde vêm, como afetam o ecossistema do aquário e, o mais importante, como mantê-los sob controle.
Não importa se você é iniciante ou experiente — há informações úteis para todos.

Comecemos pelo básico.
Os nitratos (NO3) e os fosfatos (PO4) são compostos químicos essenciais para o equilíbrio biológico do aquário.
Eles fazem parte do grupo dos macronutrientes, ou seja, elementos que as plantas aquáticas necessitam em maiores quantidades para crescer de forma saudável.

Nitratos (NO3)
Os nitratos são o produto final do ciclo do nitrogênio no aquário.
Tudo começa com dejetos de peixes, restos de comida e partes de plantas em decomposição, que liberam amônia (NH3) — uma substância altamente tóxica.
As bactérias nitrificantes, principalmente as dos gêneros Nitrosomonas e Nitrobacter, transformam a amônia primeiro em nitritos (NO2) e, em seguida, em nitratos (NO3).
Embora os nitratos sejam muito menos tóxicos do que a amônia e os nitritos, em excesso podem causar problemas tanto em aquários de água doce quanto em marinhos.
Níveis elevados de NO3 prejudicam a saúde dos peixes, favorecem o crescimento de algas e dificultam a oxigenação adequada da água.

Os fosfatos (PO), por outro lado, são compostos de fósforo que entram no aquário a partir de diversas fontes: da ração dos peixes à matéria orgânica em decomposição e até mesmo da água da torneira. O fósforo é essencial para as plantas, pois faz parte do DNA, das enzimas e participa de processos como a fotossíntese. O problema surge quando há fosfato em excesso — é aí que as algas começam a festa, e você acaba com uma “sopa verde” no aquário.

Teste de NO3 para aquários marinhos

Entender de onde vêm o NO₃ e o PO₄ é a chave para controlá-los. Aqui estão as principais fontes desses compostos:

  • Fezes e restos de comida dos peixes: Os peixes produzem amônia, que é convertida em nitratos durante o processo de nitrificação. Restos de ração que não foram consumidos se decompõem, liberando tanto NO₃ quanto PO₄.
  • Água da torneira: Em algumas regiões, a água da torneira já contém nitratos e fosfatos. Vale a pena verificar isso com testes antes de adicioná-la ao aquário.
  • Fertilizantes para aquário: Se você usa fertilizantes para plantas, pode aumentar os níveis de NO₃ e PO₄ sem perceber. Por exemplo, o popular fertilizante KNO₃ fornece nitratos.
  • Decomposição de plantas e algas: Folhas de plantas mortas ou algas que se decompõem no aquário liberam fosfatos e compostos nitrogenados.
  • Substrato: Alguns substratos, como o ADA Amazonia, podem liberar muitos nutrientes no início, elevando os níveis de NO₃ e PO₄.

Os nitratos e fosfatos são como combustível para as plantas do seu aquário. Sem eles, as plantas ficam atrofiadas, as folhas amarelam e o crescimento para. Mas o impacto vai além das plantas:

  • Plantas: O NO₃ é um componente essencial da clorofila e das proteínas, enquanto o PO₄ participa dos processos energéticos. Concentrações ideais (NO₃: 10–20 mg/l ou ppm em aquários plantados, 5–10 ppm em sistemas “low-tech”; PO₄: 0,5–2 mg/l ou ppm — geralmente 1–1,5 ppm em aquários plantados e 0,2–1 ppm em aquários comuns) fazem as plantas crescerem de forma vigorosa e saudável.
  • Algas: Excesso de NO₃ e PO₄ é um convite para as algas. Em especial, a proporção entre esses elementos (a chamada relação de Redfield, que veremos a seguir) é importante. Se o equilíbrio for rompido, as algas podem dominar o aquário.
  • Peixes: Nitratos em concentrações acima de 50 mg/l podem ser prejudiciais a espécies sensíveis, causando estresse ou doenças. Fosfatos, por si só, não são tóxicos para os peixes, mas seu excesso favorece o crescimento de algas, que reduzem o oxigênio da água.

O tema da proporção entre NO₃ e PO₄, chamada relação de Redfield, é frequentemente discutido em fóruns de aquarismo. Em resumo, trata-se da proporção entre nitrogênio e fósforo necessária para manter um ecossistema saudável. Em aquários marinhos, a proporção ideal é de 16:1 (nitrogênio:fósforo), mas em aquários plantados de água doce, costuma-se adotar uma proporção de 10–15:1.

Exemplo: Se você tem NO₃ em 15 mg/l, o PO₄ deve estar em torno de 1–1,5 mg/l. Muito fosfato com pouco nitrato (ou o inverso) pode levar a infestações de algas, especialmente de cianobactérias.
Por isso, é uma boa prática testar a água regularmente e ajustar a fertilização conforme necessário.

Não adivinhe – teste! Testes de aquário para NO₃ e PO₄ são indispensáveis. Recomendamos kits de marcas confiáveis, que são fáceis de usar e fornecem resultados precisos. Veja como funciona:

  1. Pegue uma amostra de água do aquário.
  2. Adicione os reagentes de acordo com as instruções do fabricante.
  3. Compare a cor da amostra com a escala de cores fornecida no kit.

Os testes de tiras (fitas) são menos precisos, portanto, se você busca maior exatidão, opte por testes de gotas ou fotômetros, especialmente em aquários marinhos, onde é importante detectar níveis muito baixos de nutrientes.
Realizar testes semanalmente ajuda a identificar mudanças antes que se tornem problemas, garantindo que os níveis de nutrientes se mantenham estáveis.

Testes de água que medem os níveis de PO4 - TestPro PO4

Nitratos altos (NO₃) #

Sintomas: Água esverdeada, algas filamentosas, estresse nos peixes, crescimento lento das plantas.
Causas: Excesso de alimentação, superpopulação de peixes, falta de trocas regulares de água, uso de fertilizantes com nitratos.

Soluções:

  • Trocas de água: Trocas regulares (cerca de 10% por semana) são a maneira mais simples de reduzir o NO₃. Use água com baixo teor de nitrato (como água deionizada ou de osmose reversa – RO).
  • Filtração biológica: Reforce a filtragem com bactérias nitrificantes.
  • Plantas de crescimento rápido: Espécies como Elodea, Ceratophyllum (rabo-de-raposa) e Hygrophila absorvem nitratos de forma muito eficiente.
  • Mídias filtrantes específicas: Use cartuchos ou resinas que removem nitratos da água.

Fosfatos altos (PO₄) #

Sintomas: Infestação de algas (especialmente algas vermelhas), água turva, crescimento reduzido das plantas.
Causas: Excesso de alimento, decomposição de matéria orgânica, altos níveis de PO₄ na água da torneira.

Soluções:

  • Mídias removedoras de fosfato: Produtos como Seachem PhosGuard ou PhosBond ligam o PO₄ e o removem da água.
  • Reduzir a alimentação: Alimente os peixes com moderação para diminuir os resíduos orgânicos.
  • Testar a água da torneira: Se o PO₄ da água for alto, utilize água de osmose reversa (RO) ou destilada.
  • Mais plantas: Aumente a quantidade de plantas que absorvem eficientemente fosfato, como Pistia stratiotes (alfazema-d’água) ou Limnobium laevigatum (Amazon frogbit).

NO₃ ou PO₄ muito baixos #

Sintomas: Folhas amareladas, plantas atrofiadas, crescimento lento.
Causas: Muitas plantas e poucos peixes, ausência de fertilização, trocas de água muito frequentes.
Soluções:

  • Fertilização: Use fertilizantes que contenham nitratos (como KNO₃) ou fosfatos (como KH₂PO₄). Comece com doses pequenas e observe a reação das plantas.
  • Reduzir a frequência das trocas de água: Se os níveis de NO₃ e PO₄ estiverem próximos de zero, limite as trocas a cerca de 5% por semana.
  • Alimentação e fauna: Aumente a quantidade de peixes ou alimente com um pouco mais de frequência para elevar naturalmente os níveis de NO₃.

Prevenir é melhor do que remediar! Aqui vão algumas dicas para manter os níveis de nitratos e fosfatos sob controle:

  • Testes regulares: Monitore os parâmetros da água semanalmente para identificar alterações rapidamente.
  • Fertilização adequada: Ajuste as doses de fertilizante conforme as necessidades das plantas. Em aquários high-tech com CO₂ e iluminação intensa, a demanda por NO₃ e PO₄ é maior do que em sistemas low-tech.
  • Boa filtragem: Um filtro com grande área biológica abriga bactérias que auxiliam no ciclo do nitrogênio.
  • Trocas de água: Faça trocas regulares, mas não exageradas — cerca de 10% por semana é o ponto ideal.
  • Equilíbrio da fauna: Muitos peixes geram excesso de NO₃; poucos peixes podem resultar em falta de nutrientes para as plantas.
  • Mais plantas: Quanto mais plantas houver no aquário, melhor elas absorvem NO₃ e PO₄, ajudando a manter o equilíbrio natural.

1. NO e PO₄ são prejudiciais aos peixes?
Nitratos acima de 50 mg/l podem causar estresse em peixes, especialmente nas espécies mais sensíveis. Fosfatos, por si só, não são tóxicos, mas o excesso deles favorece o crescimento de algas e reduz a qualidade da água.

2. Como reduzir rapidamente o NO₃ e o PO₄?
A maneira mais rápida é fazer trocas de água e usar mídias filtrantes específicas. A longo prazo, plantas de crescimento rápido e uma filtração eficiente ajudarão a estabilizar os níveis.

3. Por que minhas plantas não crescem, mesmo com níveis altos de NO₃ e PO₄?
Pode haver deficiência de outros nutrientes, como potássio, ferro ou CO₂. Também verifique se a relação entre NO₃ e PO₄ está adequada (entre 10:1 e 15:1).

4. Posso usar água da torneira?
Sim, mas teste antes para verificar os níveis de NO₃ e PO₄. Se forem altos, o ideal é usar água de osmose reversa (RO).

Produtos mais recentes

Vídeos

Guias

Leia também